quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Um novo marco em minha vida

Criei um novo marco em minha vida
O deixei sabendo que não queria deixá-lo.
Mas assim é a vida,
a realidade é sempre irreal.
Ou apenas não é ideal.

Na verdade, ela é cheia de contradições.
Como um amor em que não se ama.
Como uma noite de magnífica lua que não há luz.
Como achar conforto em dar um passo à frente,
Sabendo que quero estar dois passos atrás.

Já sabia que esse momento iria chegar,
Ás vezes parece que
O destino realmente é inexorável.

Coincidências não existem,
Todo acaso está lá porque tem que estar.
Os motivos o futuro dirá
Ou o presente já disse e não pudemos escutar.

Por agora, resta achar a lua
Nessa repentina neblina
E deixar sua luz guiar.
Deve estar na hora de avançar.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Hoje decidi olhar meu blog. Sim, as coisas mudam!

Hoje decidi olhar meu blog. Não, não estou bem. Se estivesse não estaria aqui. Estaria dormindo, rindo de um filme ou me masturbando. Logo percebe-se que este blog é carregado de incertezas, lamentos, momentos tristes, dores.

A verdade é que sempre fui aquela pessoa que as pessoas confiam para desabafar, falar das próprias tristezas. Mas eu nunca me senti à vontade para conversar sobre essas com coisas com ninguém. Quase ninguém, não quero me focar nesses créditos, quem um dia procurei para desabafar meus problemas deve lembrar de tais momentos. Mas é foda! Não me sinto bem transportando essa energia para outras pessoas e geralmente me sinto julgado. Recentemente resolvi falar sobre uma postagem antiga desse blog com uma pessoa e nas primeiras duas frases que li escutei um "Ai, não gosto dessa desse tipo de escrita". É verdade, a tal postagem era carregada de um drama canceriano e provavelmente chato mesmo. Ainda bem (será?) que não disse que o texto era meu. Mas isso mostra como as pessoas julgam por qualquer coisa e não me sinto bem com isso. A outra coisa, a questão da energia, é mais simples. Sempre sinto que estou levando problemas pífios para a pessoa, ou que estou tomando seu tempo ou que estou irritando de alguma forma. Você só pode fazer isso com pessoas que são realmente suas amigas e que irão aceitar te ouvir. E não vale a pessoa aceitar ouvir se não tiver interessada, vai ser mais um fardo acomodado.

Mas voltando ao assunto, iniciei esse blog porque tinham coisas não ditas em mim. Essas coisas já transbordavam, não sou um copo muito fundo. E por algum motivo sempre achei que iria querer "ouvir" novamente essas coisas. Bem, nisso eu acertei, cá estou eu novamente. Minha decisão em visitar este velho diário estava baseada na vergonha de certas coisas ditas aqui. Sim, vergonha! Afinal, quem não fica encabulado ao lembrar do quão bobo era na primeira paixão? Dos pensamentos melosos, em usar a palavra de 4 letras que começa com A, do momento que se vira poeta por qualquer coisa. Pois é, tenho certeza que agora você entende minha vergonha. Meu objetivo era tirar do ar qualquer coisa exagerada e juvenil e guardar a sete chaves dentro de um cofre guardado em outro cofre trancado por uma criptografia quântica baseada no Michael Phelps Quântico (https://www.youtube.com/watch?v=ldnt8fY86co).

Mas não resisti a releitura de cada coisa que escrevi e a recordar tudo que sentia nos momentos que escrevia. Já se passaram 7 anos desde a primeira postagem e é incrível como ainda me lembro exatamente de tais sentimentos! Após reler (e corrigir alguns errinhos) percebo que não tenho mais vergonha do que escrevi. Muito pelo contrário, fiquei impressionado com algumas coisas que postei! Eu não tinha a maturidade nem de escrita e nem de conhecimento da vida para escrever tais coisas e mesmo assim escrevi. Essa emoção bateu e ainda tá batendo. Mas, apesar disso, já não sou mais o mesmo de outrora. As coisas mudam e é interessante observar este processo. Observar como existem ciclos, como as experiências moldam nossas opiniões e como tudo é diferente de uma hora pra outra.

Talvez o maior exemplo sejam os dois últimos poemas postados. "A Outra" foi escrito quando ainda estava num relacionamento, naquele momento, falido (percebe-se). "Não sei", postado seis meses depois apontam uma recaída de um término. Apesar de lembrar exatamente como existia um ar na minha garganta ao escrever este último lamento, hoje eu o contradigo plenamente. Uma das decisões mais acertadas foi da minha vida foi finalizar aquele relacionamento que já tinha batido contra o muro. Num momento estou num relacionamento pensando em sair dele, no outro estou fora do relacionamento pensando em voltar pra ele. Hoje estou num novo relacionamento e e este antigo virou passado. Muitas mudanças, até difícil de entender se não tivesse sido eu a vivenciar tudo isso.

Outra coisa legal de reler este blog foi encontrar tantas músicas que fizeram parte dessa minha história. Tem Ozzy, Leoni, Timbaland feat. Katy Perry. Até Beatles está um pouco representado. Cada vez que acho uma referência em música abro uma aba do youtube para ouví-la. Mais legal ainda? Rever as amizades que participaram de toda essa história. Pessoas com quem perdi totalmente contato, pessoas que encontro de vez em quando. Pessoas que banalizaram o "eu te amo" e o "sempre" (e não, não estou me referindo ao "para sempre te amarei"). Pessoas que ajudei a construir seus próprios blogs e que o seguiram por muito tempo ou tempo nenhum. Provavelmente nem lembro mais da maioria dessas pessoas em minha rotina diária, mas ver seus nomes, comentários e blogs aqui faz bater aquela flecha no coração, aquela pontada de saudade. E no final aquele sorriso da amizade passada. Aliás, quanto essa dorzinha sempre me ataca quando relembro o orkut! Eu tenho meus dois perfis guardados aqui, com todos os depoimentos e scraps guardados.

Pois é, ter um blog (ou um diário) é poder olhar pra trás, ver que mudou, que amadureceu. Lembrar de cada pessoa, momento, sentimento, música. Ter a certeza de que cresceu, amadureceu. De achar a coerência e a incoerência em cada ser. Analisar o que foi banalizado e que não se suspeitava que seria, afinal, só o tempo pra dar certas respostas. Não vou dizer que estou magicamente bem depois dessa viagem, a realidade nunca é programada, é sempre desleal! Mas com certeza pude desviar a atenção e perceber outras maravilhas da vida que parecem estar no passado mas na verdade estão tão vivas em nosso presente, na essência do nosso ser.