quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Dependência Quase Química.

            Era algo muito complicado. Vivera naquela prisão por quase um ano. Durante 75% de tal período foi desejando, o restante aprendendo a “desdesejar”.
O que ninguém entende é que o caminho contrário é muito difícil. Passa-se mais da metade da vida como um bobo. Por vezes fala, mas sempre faz uma merda. Desculpe, mas dentro deste cenário, palavras “bonitas”, cultas, perdem o sentido, de modo que prefiro as de baixo calão.
Mas retornando, no início és um bobo, um tolo. Toda sua defesa abaixa a guarda e, nisso, essa doença penetra e passa a tomar conta do seu corpo, da sua personalidade, idéias, forma de agir e pensar (fica mais idiota).
E então acontece o primeiro desentendimento, o qual, normalmente, é provocado por um fator externo. E o “des” passa à regência. Desespero e desorientação. Mas não vem sozinho. O “in” está sempre acompanhando como se estivessem grudados com cola: infelicidade e instabilidade.
E então cai num ciclo: tolice – desavença – infelicidade; onde na tolice você perturba os outros com a sua bobeira. Na desavença... a desavença já é chata mesmo. E a infelicidade que termina com a sua estrutura de vez.
Uma decisão: reestruturação. E aqui ninguém entende. Precisei ser indiferente, precisei ser frio. E, principalmente, precisei ser isolado. Ainda não estava curado, estive sempre a ponto da recaída. Poderia te levar junto para o poço. Por isso me isolei! Para não te machucar.
Esse é o terrível e mais necessário vício. É a droga do amor.