quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Palavras de um formando

    Bom! Este é um blog independente e bem pessoal. Assim, provavelmente eu não tenho muitos leitores assíduos. Amigos com certeza eu tenho! E tem também aqueles leitores que estão longe... que provavelmente eu nem conheço. Mas se vocês lêem, esse texto é para vocês também!
    Lá estavam meus pensamentos de autopiedade! Achando que postar uma desculpa pela pouquíssima presença no blog esse ano seria algo desnecessário. Mas lembrei que possuo amigos. E lembrei também daqueles que, como falei antes, só pelo fato de lerem, entenderem e (para alguns) até comentarem fazem deste autor (eu!) uma pessoa mais feliz.
    Hoje conclui um ciclo em minha vida. Se não fosse pela tamanha felicidade que estou agora, eu poderia chorar! Nem chorar de alegria deu! E cada um tem sua opinião. Para alguns esse ciclo pode ser marcado por amizades, talvez estudo, ou alegrias simplesmente. Para outros por coisas ruins. Para mim, o que marcou foi o autoconhecimento.
    Quero dizer, óbvio, tive minhas alegrias e tristezas. Amizades que serão para sempre. Mas não se compara. No meu 1º ano de ensino médio eu pude descobrir o valor da amizade. Principalmente da amizade. Daquelas pessoas que me deixaram dormir num bosque enquanto a aula andava. Daqueles que me ajudaram a furar fila, que estavam juntos na primeira vez que matei aula! Enfim, muitas outras cenas. E legal perceber que as pessoas que eu conheci naquele ano ainda são meus melhores amigos.
    Já no 2º ano eu descobri muito mais sobre amizade. Meu Deus, se não fossem também os amigos que fiz e que fiquei mais próximo no 2º ano eu não sei o que seria de mim. Mas tiveram outras coisas. Dentre elas, descobri o valor do que é ser humano. De cidadania, dever, verdade. Fiz amigos que eram professores e a estes dirijo todos os meus agradecimentos. Contudo, isso foi só numa parte do ano. Na outra parte foi uma lição demorada. Foi amor!
    Dolorosa lição. Confortável, gostosa lição. Até hoje, a melhor! Recomendo a todos.
    Mas o 3º realmente me emocionou. Com toda a bagagem que eu já tinha, eu aprendi sobre vida! Aprendi o que é viver. Das dificuldades ao lazer. A responsabilidade cobrada, dos sonhos de vida. Ah! Aprendi a beber também!!!!!!! Caipirinha é uma bebida muito boa! E além de tudo. Aprendi a estudar.
    E aqui está a minha desculpa. O estudo intenso que eu não aprendi durante o 1º e o 2º anos eu tive que aprender no 3º. Infelizmente não consegui o tanto para conseguir uma ótima nota em vestibular. Mas aprendi muito. Eu não sabia que podia estudar tanto. De um lado isso é ótimo. De outro, isso me deixou completamente e frio em relação ao meu adorado blog. Aos meus textos.
    Hoje eu conclui esse 3º ano. Tudo o que conquistei continuará. (Aqui ta a emoção com amigos, profesores, família e tudo o mais). Vou me aproximar novamente daqui. E acima de tudo, obrigado por essa experiência, essa oportunidade.
    Eu não seria nada sem ela.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Dependência Quase Química.

            Era algo muito complicado. Vivera naquela prisão por quase um ano. Durante 75% de tal período foi desejando, o restante aprendendo a “desdesejar”.
O que ninguém entende é que o caminho contrário é muito difícil. Passa-se mais da metade da vida como um bobo. Por vezes fala, mas sempre faz uma merda. Desculpe, mas dentro deste cenário, palavras “bonitas”, cultas, perdem o sentido, de modo que prefiro as de baixo calão.
Mas retornando, no início és um bobo, um tolo. Toda sua defesa abaixa a guarda e, nisso, essa doença penetra e passa a tomar conta do seu corpo, da sua personalidade, idéias, forma de agir e pensar (fica mais idiota).
E então acontece o primeiro desentendimento, o qual, normalmente, é provocado por um fator externo. E o “des” passa à regência. Desespero e desorientação. Mas não vem sozinho. O “in” está sempre acompanhando como se estivessem grudados com cola: infelicidade e instabilidade.
E então cai num ciclo: tolice – desavença – infelicidade; onde na tolice você perturba os outros com a sua bobeira. Na desavença... a desavença já é chata mesmo. E a infelicidade que termina com a sua estrutura de vez.
Uma decisão: reestruturação. E aqui ninguém entende. Precisei ser indiferente, precisei ser frio. E, principalmente, precisei ser isolado. Ainda não estava curado, estive sempre a ponto da recaída. Poderia te levar junto para o poço. Por isso me isolei! Para não te machucar.
Esse é o terrível e mais necessário vício. É a droga do amor.

sábado, 11 de setembro de 2010

A Queda

Aos velhos tudo cai,
Fecho os olhos:
No escuro a dor
Diminui...
Durmo por horas a fio.
O intuito: não morrer.

É bela aos olhos visitantes,
Não entendem os erros dos arquitetos!
Dedicada aos moradores, a fachada
É fabulosa. Beleza vinda dos
Segredos de representantes.
Porém a estrutura – mais abalada
Que uma cadeira de uma perna só –
Ruía.

E durante anos ameaçava a queda.
Está na hora!
Motivo da minha tristeza, do meu alento.

Acordo para viver a podridão.
A vizinhança – que se diz humana –
É o prego enferrujado, guardando
Rancor e mentindo... cada um
Para si próprio.

Os pilares desta enorme construção
Começam a rachar. Quanto mais gente,
Mais acredita-se no rompimento dos valores.
Vai cair...

Salvem-me dos escombros.
Ou não...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Viver, crescer

(There are places I remember all my life,
Though some have changed,
Some forever, not for better,
Some have gone and some remain.
All these places had their moments
With lovers and friends I still can recall.
Some are dead and some are living.
In my life I've loved them all.
The Beatles)



Difícil,
Num piscar de olhos tudo muda.
Com risos ou choros,
No final, nem as lembranças
São as mesmas.

É a brisa do verão
Levando tudo o que passou.
Durante a noite, na cama,
Tudo passa como um filme nos olhos fechados.
E sorrindo, dormimos.
A partir de então, o filme ganha uma cor
Uma cor inerte, invarável.
No dia seguinte, do filme
Não existe mais nada.

Talvez seja o destino,
Ou a vontade dos deuses.
Ou os momentos...
Sobre estes pouco há para falar.
Às vezes deles pode-se rir.
Mas também podemos chorar
Ou nos envergonhar.

A dor do arrependimento
De um triste momento,
Do algo não falado.
Tudo mudado.

Mas não é para ser triste,
Não!
É para sorrir e olhar para frente.
Pois enquanto tudo muda,
Vamos vivendo.
Vivendo e aprendendo com dizem os ditados.
Ou crescendo e aparecendo como dizem os meus pais.

Com sorriso, garra ou lembranças,
Com as palavras de um amigo,
Com a visão do futuro,
E com o sabor do amor no próximo segundo.

Vamos vivendo.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O que é...?!

Amor... amor não é assim... 
Amor é fraterno sem fraternidade,
Sofrimento sem dor,
Felicidade sem alegria
É tudo ao mesmo tempo.
Amor não é sofrimento constante,
Amor olha para os dois lados,
Amor compreende o não estar junto.
E ao mesmo tempo
O Amor move o mundo para conseguir estar mais perto do amado.

Amor é respeitoso,
Antes de desejar o outro loucamente.
O amor olha pra si, pra pessoa que ama.
Amor é muito mais que uma simples vontade.
Amor é contradição
Amor é sentimento
Amor é briga e paz
Amor é respeito
Amor é arriscado!
Amor é inteligível!
Amor: tome cuidado!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Amor

    Às vezes, por amizade talvez, nos vemos na vontade de aconselhar ou conversar sobre um certo assunto com alguém. O momento chegou!
    Um assunto universal, típico da adolescência e que dura até os últimos suspiros. E não! Não é triste! Só possui um amplo aspecto, podendo assim, ter inúmeras faces. Já deu pra descobrir?
    O amor, ah o amor! – Suspiros.
    Todos sonham com tal fenômeno. Não da mesma maneira, realmente, mas sonham! Mas vou falar de um específico... Aquele que transforma, aquele das contradições, dos elogios... da cegueira.
    Sim, existem zilhões de características e no momento não importam muito! E pra ser o mais universal possível, não darei foco ao essencial.
    Somos seres de muita vontade, mas não sabemos o que fazer quando conseguimos o que queríamos. E começa assim: “Ah! Eu queria viver um amor!”. Aqui reside a primeira contradição, pode ser o início da ruína ou do sucesso. Todos querem um amor, não é novidade. Mas não se apresse, nem fique mal por não aparecer um... ele vai aparecer uma hora. E pode ser a hora certa!
    E então ele aparece e logo começa “Mas não-sei-quem não me ama!”. Aqui vai a primeira dica: NÃO TEM COMO ADIVINHAR!!  Se gostarem de alguém, demonstrem! É impossível saber se não mostrarem algo.
    Daqui chegamos numa “bifurcação”. Primeira opção, o amor foi correspondido. Aproveite! Não coma mosca, não perca oportunidades. Se preciso, pressione (mas sem sufocar a pessoa, por favor!) e, principalmente,  não deixe alguém chegar antes e tomar o seu lugar. Segunda opção... bem, não é o fim do mundo não ser correspondido. Se quiser, aproveita a fossa que pode até ser produtiva em alguns âmbitos. O melhor desse momento é relacionado às artes: música, textos, dança, etc. Mas acima de tudo, cansa esperar por alguém. Às vezes demora, mas cansa. E quanto antes isso acontecer, melhor. Assim o sofrimento é menor.
    Volte a viver! Viva! Não se prenda a quem não se prenderia em você!
    No final, o fundamento que realmente deixará o texto universal é a mensagem mais básica: esperando pelo amor, na fossa, retribuído ou não. Seja a situação que for, aproveita ela. Viva ela. E não esqueça que a vida é feita de experiências, portanto, não demore muito tempo numa só situação! A não ser que seja o amor da vida.
    Amor, ah o amor!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Chip Memory

    Uma noite agradável e semanas de dor de cabeça. Uma raiva crescente; a comida daquele jantar virando vômito. Era nojo daquela noite! Fazer o que, perdera tudo.
    Já fazia muito tempo, Luciano terminara com a sua namorada. Terminaram bem, sem estresse e hoje conheceu o novo namorado dela.
    Era difícil esquecer, afinal, tudo o que acontecia na vida dele estava salvo no celular. O dia que se formou na faculdade, o primeiro emprego, a noite que saiu pela primeira vez com a ex, mensagens de valor, lembretes. Tudo!
    Ao chegar em casa deitou direto no sofá, uma garrafa na mão. Não era um apartamento grande, do lugar em que estava podia-se ver tudo. Mas ele olhava para um ponto fixo: a janela. A imagem do lado de fora foi palco de grandes acontecimentos: risos, cantadas, declarações e elogios.
    Lembrava vagamente de tudo o que aconteceu. Seu problema era esse. Não podia lembrar, havia sido roubado no caminho de casa, inclusive seu celular. Logo a sua memória que agora pertencia a outro.
    O chip que guardava 3 anos de risos, diversão, cinemas e beijos agora estava na mão de outro. Provavelmente seria apagado e revendido. Tudo aquilo que ele nunca apagou por serem importantes agora estavam na mão de outro.
    O outro. Na verdade, esse era o problema. O problema real. Não se importava com o seu chip memory ou o que aconteceria com ele. O que matava eram as suas memórias que agora outro está vivendo. Um outro que deve estar declarando, rindo, beijando. E ao Luciano resta aquela memória inapagável que o ladrão roubou.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Desleal

Um animal da noite
Um ser pensante.
Um bicho de estimação,
Um cachorro mutante.

Sem sair do chão estou a voar,
Caminhando pela noite até a lua encontrar.
Tanto vejo, tanto ouço nesse meu passeio.
Tão triste, a miséria. Tão alegre, os amores.

Mas hoje pouco importa!

Sob um luzente raio de luar
Transformamo-nos em unidade.
Entre suspiros arfantes e doces fugimos...
Do mundo talvez...
Encontrados só os olhares.
Usufruindo o prazer provocado, satisfeita felicidade.
Pena que estou a delirar...

Você me traz a irrealidade.
Uma realidade
Desleal.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

No leito de morte

Fria... essa é a sensação!
Aos poucos vai congelando.
Tremer já não basta...
Tem que se cobrir.
É uma febre.

Tão forte... do calor faz o frio.
A intenção é te derrubar,
À podridão encaminhar...

De que adianta do puro vir
Se na podridão viveremos e
Se na podridão morreremos?

Por isso canta, o Leviatã dos Mares.
Derrubando com as suas ondas,
Pro fundo levando a podridão...

E do frio crepita o calor.
Tenho mais algum tempo...

domingo, 11 de abril de 2010

Planeta Bolha

Uma batida irregular e rápida
Rege os meus pensamentos,
Rege a minha vida.
Como uma rajada de vento
Corre... corre em minhas entranhas.
Infla, expande,
Faz-me intumescer, quase estouro.
Mas é tão rápido e de um salto
... Está no ar.

No ar ganha leveza? – Não.
Mas ganha vida e me envolve.
Deixa-me suspenso no ar.

Nesse mundo, meu mundo,
A realidade é certa,
Como planejada.

A música toca irradiantemente alta,
Um mar sem fim para nadar
Lendas se tornam reais.
Sonhos impossíveis são reais.

Um mundo de sonho,
Um mundo de verdade.
Uma bolha de chocolate.

Mas não posso... não posso!
A realidade é errada mesmo.
Nunca é como planejada.
E agora manda retornar ao
Mundo Real.

Porém devagar... devagar...
Pois meus pés serão flechas
Que trarão à tona toda essa falsidade
Que não quero viver.

Até que o crime é cometido... estoura.
E vejo tudo normal,
Erradamente normal como não deveria ser...
Volto a viver.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Ao pó, ao nada

Finalmente acabou!
Tudo volta ao pó,
Tudo vira nada.
Da importância agora,
A poeira basta.

Assim se concretizam receios
Que bardos cantaram
E druidas alertaram.

Noites perdidas
Dias caídos no pensar,
Sonhos querendo ser reais
E um universo no vago olhar.

Já não sei mais o que fazer,
Já não tenho nada pra fazer.
Lutas e protestos são passados
Agora livros fazem o real.

Agora histórias são contadas,
Noites são dormidas,
Dias são vividos.
E no final, o que restou?

Tudo volta ao pó,
Tudo vira nada.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Lá Em Cima...

No céu jaz, cintilante e recente
Olhando os caminhos
De um jovem adolescente.

Não sei se digo olá ou adeus
Não podemos mais conversar
Mas posso vê-la brilhar
Lá em cima...

Lá em cima...
Onde a Lua não me diz mais nada
Onde a Noite perde nome e
Onde Estrelas nascem.

Uma estrela lá, uma estrela cá.
Uma estrela em todo lugar.

É lá que acontecem as mágicas,
Onde tudo começa e tudo termina,
Onde as coisas importam e deixam de importar
Onde presentes são dados e retirados.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

As cartas que eu não mando

   Pessoa que amo,

    Não acredito que estou aqui, fazendo isso de novo, mas...
    Sabe, Platão dizia que qualquer homem vira poeta quando está amando. Parece algo tão simples... mas não é! O que realmente estava sendo dito era que no momento de amor, paixão ou até amizade vivemos. Vivemos intensamente com amor, ódio, angústia, devaneios, sonhos, culpas, medos e esperanças.
    Lembra de nossas conversas? Ah, como eu desejo que aquilo não tivesse acabado. E em tão pouco tempo já estava encantado pela magia... pela sua magia.
    Já não sei dizer quem sou. Em nossas conversas fui tantas pessoas, tantas criaturas. Mas o mais importante é que não importava quem ou o que eu era: eu estava feliz. Feliz como ninguém no mundo. O mais feliz do mundo.
    Até hoje não acredito e não compreendo como me apaixonei tão rápido e tão intensamente por você, afinal, foram poucos dias e ouso afirmar que pouco nos conhecemos.
    Mas uma outra magia aconteceu. No seu aniversário, sentando ali em frente, eu não podia deixar de te observar. Sua felicidade, seus cabelos, seus olhos. E também como você me lembra a noite, como você é um mistério que eu adoraria desvendar, como me perco no seu olhar, como você é perfeita. Meu Deus, como és linda! Parece até me apaixonei de novo!!!
    Se aquela história de que fantasmas são almas com questões pendentes for verdadeira, eu seria um deles. Preciso te ver, te ouvir, te admirar. Preciso falar-te do que penso, do que sofro, da maldita esperança.
    Não posso continuar assim... cada vez que – de alguma forma – penso em você, isso fica torna mais forte. Tão forte que não consigo pensar em conseqüências.
    Meu coração arde, estoura cada vez que penso em ti. Já desistiu de despedaçar-se, você não o vê pelo chão. Sempre chuta ou pisoteia. Não, agora ele quer gritar, quem sabe com gritos desumanos você possa escutar.
    As lágrimas que agora mancham esse papel não são vão, eu espero. Hoje era pra ser um dia feliz: minha apresentação deu certo, passei de ano, ta tudo dando certo. E mesmo assim estou sentindo essa coisa dentro do meu peito como uma bomba fazendo tic tac.
    Não planejava sentir essas coisas tão cedo e tão rápido. Mas agora eu já posso dizer em alto e bom som que te amo. Te amo e sou idiota. Sou idiota por sempre deixar você partir. Agora estou sentido a dor de ficar longe de quem amo. Que sorte, não?! Logo a primeira pessoa que realmente amo e já está assim.
    Não se surpreenda se eu te ligar do nada querendo ouvir sua voz que faz tão bem como mal. Mas acredite, não perderei mais oportunidades e na primeira vez que te vir falarei tudo o que preciso falar, assim não serei mais uma alma penada vagando com correntes nesse mundo escuro. E, por favor, não me tome como aquele que abriu as portas para os poemas tristes, mas como aquele que virou poeta depois que te conheceu.

    Com todo o amor que conheço,
    Thiago.

"Guardo para te dar
As cartas que eu não mando
Conto por contar
E deixo em algum canto"
Outras cartas não enviadas estão a disposição: Postagem Coletiva.
E gostaria de pedir desculpas, essa semana tenho estudado muito para uma prova e não pude postar outros textos. Sorte grande ser esse o tema dessa Postagem.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Apenas mais uma de amor

    Eu não queria ir, meus amigos me obrigaram. Fiquei sabendo, depois, que apostaram quanto a minha presença. Quem apostou que eu iria ganhou, mas foi sorte: fui forçado.
    E lá estava ela. O motivo de eu não querer ir, o motivo do frio na minha barriga, o motivo de tudo. Bela, radiante, era só aparecer pela porta e todos os holofotes viravam pra ela.
    Ela usava um vestido azul folgado até o meio da coxa. Que coxa. As mangas pareciam de morcego. Era bem estiloso, deixava-a sexy. Os cabelos escuros, um pouco abaixo dos ombros, ondulado nas pontas. Moreninha. Com tanta beleza eu me tornava uma mistura de bobo, retardado, idiota. Talvez um pouco safado, mas esse ficava só na cabeça. Procurei não prestar muita atenção para não assustá-la. Deu certo! Até esqueci um pouco dela.
    Em um dado momento decidi ir à varanda, a coisa mais perfeita que um homem já pensou e inventou para um apartamento.
    Lá fora estava batendo um vento bom, meio forte. Parecia que ia me carregar! O céu estava negro, poucas nuvens e com estrelas. Era perfeito. A lua parecia alguém procurando por conversa. Fiz esse favor, eu também queria conversar. Precisava. Logo depois ela veio à varanda.
    - Ah! Você já está aqui... desculpa. – e virou pra ir embora.
    - Não! Tudo bem. Pode ficar – eu queria mais é que ela ficasse mesmo.
    - Obrigada.
    Já tinha passado uns três minutos e a gente só conversou isso, que vergonha. Decidi acabar com isso:
    - Está uma noite perfeita, não?
    - É! Adoro esse vento e graças a Deus hoje tem estrelas.
    - Algo em especial com elas?
    - Minha mãe.
    - Hãn? – fiquei sem entender nada.
    - Ah, é meio bobo. Minha mãe morreu quando eu era pequena. Antes disso nós ficávamos deitadas vendo as estrelas. Acredio que agora ela seja uma.
    - Não é bobo. É lindo – ela soltou um sorriso – Se eu pudesse te daria uma estrela. Ou faria com que toda noite tivesse estrelas.
    - Ah, obrigada. – ela falou com um sorriso no rosto. Acho que gostou do que falei!
    Era agora! O momento perfeito pra falar com ela. Pra magia! Até pra roubar um beijo dela!
    - Hum... vou voltar lá pra dentro, té mais.
    Droga! Eu não queria falar aquilo. Eu nem queria sair da varanda. Não acredito, deve ser fraqueza mesmo.
    Bom, não foi hoje. Espero que seja um dia. Se não for, basta esquecer. Acho que vou sobreviver.

"Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
E eu vou sobreviver..." 

Para Postagem Coletiva. Passa lá, tem outros querendo contar suas histórias de amor!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Coração de Lobo

Como pode alguém sentir
Saudade de algo que nunca viu?
É... mas eu já fui!

Fui expulso do céu
por vontade própria.
Usei da razão
para armar a expulsão.

Passei de criatura divina
A um ser monstruoso.
Um ser feroz, desumano, perverso.
Mas não foi assim!

Foi na forma de monstro
Que conheci a beleza da vida.
Foi na forma de monstro
Que eu a conheci.

Agora vago pelo mundo,
Não sou monstro, não sou divino.
Nunca desprezei tanto
A normalidade.
O que mais quero é
Voltar a ser monstro.

Fechada a minha boca cala
O que meu coração quer gritar.
Em batidas rápidas ele tenta berrar
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

Nesse uivo
O coração monstruoso
Só quer bradar sua saudade.
Clamar seu desejo.

Uivar de amor.
Uivar o seu amor.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Sonho

    Sempre sonhei com o amor. Como deve ser bom estar sempre ao lado de quem amamos, eu pensava. Mas o fato é que eu nunca imaginei como iria me apaixonar assim.
    Claro! Não posso dizer que nossas conversas não ajudaram, mas foi naquele dia que eu suspirei pela primeira vez. Você e suas amigas andavam e eu apareci do nada. Falei com todas de longe. Rápido, pois vocês estavam com pressa. Mas, enquanto falavam alguma coisa, eu precisei te olhar; te ver. E foi aí!
    Nossos olhos se encontraram, éramos só nós dois e sei que também sentiu isso. Foram milésimos de segundos, mas pareceu uma eternidade. Ainda lembro como pareceu que não acabava. E eu não queria que acabasse. Senti-me no céu, nas estrelas, nuvens; na lua. A felicidade, euforia e excitação que senti naquele momento que nunca saíram de mim. E acho que nunca vão sair.
    E a despedida daquele encontro foi ainda melhor. Aquele abraço que dizia que queria estar próxima de mim. Tão próxima como éramos naquelas conversas até 5h da manhã.
    Sei que nunca mais tivemos uma conversa daquelas. É até provável que nunca mais tenhamos. E também sei que não tive a oportunidade de estar ao seu lado mas já sei como me “apaixonar assim”. Você me ensinou um pouco sobre o amor e sobre amar. Acho que já posso considerar esse sonho realizado. Ou pelo menos metade dele.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Colorindo de cinza

    É preciso confessar: tinha sido um dia cansativo. Não queria mais nada que chegar em casa, pegar um copo de coca-cola e gelo, botar música no volume máximo e deitar na rede. E foi o que fez.

    Deitado, olhava para o céu e não via. Nem tinha percebido que já estava escuro. Perdido em pensamentos, ria do inferno que tinha sido o dia. “Ângelo, faz isso!”, “Ângelo, faz aquilo!”; “Ângelôôô! Preciso de ajuda!”. Tudo aquilo passara, estava de férias. Podia ficar ali, parado, olhando para o longe. Podia pensar em tudo ou não pensar em nada. Não queria mais ouvir as lembranças do dia que tivera, melhor ouvir a música baixinha que aparece no ar.

    "Hum! Como eu gosto dessa música", pensou.
    Aquelas lembranças infernais do dia saíram dando espaço àquela música, bem diferente do rock pesado que tanto gostava. Era bem light. “Now I'm higher than a kite, I know I'm getting hooked on your love, talkin' to myself, runnin' in the heat, beggin' for your touch in the middle of the street.” Abriu os olhos e não mais estava na varanda. Via tudo do alto, como se fosse uma pipa!

     De lá via uma criança rindo; risada gostosa. Um jardineiro cuidando de seu jardim, duas crianças chinesas correndo, um casal abraçado no alto de um monte observando o céu. "Espera, pensou, esse sou eu!" E, em um piscar de olhos, estava na varanda. Finalmente percebeu o céu.

    Poetas versariam sobre esse céu. Era de um escuro que reinava, majestoso, no alto. Pontos brilhantes fazendo papel de estrelas e uma lua cheia pairando como uma bola de cristal. Um céu sem nuvens.

     Era maravilhoso, exceto por ela. Ela por quem aquele tolo suspirava, por quem ele vivia de coração aflito e acelerado. Conversavam tanto sobre noites, luas, mistérios noturnos... Hoje não existe mais aquele papo solto, livre, só um assunto concreto. Cadê aquela vontade de conversar sobre nada?

    Naquele momento encheu-se de cores frias o que antes era só alegria. Era tão injusto que o mundo inteiro fosse tão colorido e feliz e o dele tão cinza, solitário, aflito.

    Não desatava aquele nó em sua garganta. Chovia. Não sabia se o rosto estava molhado de lágrimas ou de chuva. Decidiu, então, entrar. O que restava era dormir.